28/01/2017

Resenha: A Maldição do Vencedor


Título:
A Maldição do Vencedor
Autor: Marie Rutkoski
Editora: Plataforma 21
Páginas: 328
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Sinopse: Kestrel quer ser dona do próprio destino. Alistar-se no Exército ou casar-se não fazem parte dos seus planos. Contrariando as vontades do pai – o poderoso general de Valória, reconhecido por liderar batalhas e conquistar outros povos –, a jovem insiste em sua rebeldia. Ironicamente, na busca pela própria liberdade, Kestrel acaba comprando um escravo em um leilão. O valor da compra chega a ser escandaloso, e mal sabe ela que esse ato impensado lhe custará muito mais do que moedas valorianas. O mistério em torno do escravo é hipnotizante. Os olhos de Arin escondem segredos profundos que, aos poucos, começam a emergir, mas há sempre algo que impede Kestrel de tocá-los. Dois povos inimigos, a guerra iminente e uma atração proibida... As origens que separam Kestrel de Arin são as mesmas que os obrigarão a lutarem juntos, mas por razões opostas. A maldição do vencedor é um verdadeiro triunfo lírico no universo das narrativas fantásticas. Com sua escrita poderosa, Marie Rutkoski constrói um épico de beleza indômita. Em um mundo dividido entre o desejo e a escolha, o dominador e o dominado, a razão e a emoção, de que lado você permanecerá?

"A Maldição do Vencedor" é o primeiro livro da trilogia escrita por Marie Rutkoski e publicada no Brasil pela Plataforma 21. A história gira em torno de Kestrel, uma jovem de 17 anos, filha do reconhecido general Trajan, responsável pela colonização de Herran. Como mulher valoriana, Kestrel tem apenas duas escolhas: casar-se ou juntar-se ao exército. Mas talvez seja difícil ignorar sua paixão pela música, algo que deveria ser responsabilidade apenas dos escravos, sobretudo quando não quer se casar e quando não apresenta habilidades suficientes para batalhar.

"- Eu sei. Mas, quando você só tem duas opções, exército ou casamento, você não fica se perguntando se não existe uma terceira, quarta ou talvez até mais opções?"


Em um dia comum, Kestrel vai à cidade com sua amiga Jess e acaba levada ao leiloeiro. Lá, está sendo leiloado um escravo com olhos hipnotizantes e um dos poucos ferreiros treinados. Mas o que cativa Kestrel não é a utilidade que ele pode ter para o acervo de seu pai. Kestrel o compra quando descobre que ele sabe cantar, mesmo que ele, Arin, se recuse a fazer isto.

Mesmo que Arin possua uma personalidade árida, Kestrel sente que pode confiar nele, pois é o único corajoso o suficiente para ser sincero. A companhia dele desperta a desconfiança dos demais valorianos que lançam rumores sobre o relacionamento dos dois. Mas o que eles poderiam significar um para o outro em um mundo dividido em senhores e escravos e sobretudo quando Arin esconde segredos que podem colocar um fim a toda a vida que Kestrel conhece?


"Não é que as relações secretas sejam impossíveis. Fingir que elas são impossíveis é o que permite que todos façam vista grossa ao fato de que podemos usar nossas escravos como bem entendermos."


A história inteira se baseia na questão da liberdade e as atitudes dos personagens são moldadas conforme a posição que eles ocupam. Assim, quando é senhora, Kestrel pode amar plenamente e talvez até cegamente, porque não existem preocupações maiores. Arin, pelo contrário, por mais que nutra sentimentos, não pode fingir que é livre para amar como gostaria. Ele é escravo de um Império, e a ilusão de um amor não modificará sua situação.


"A felicidade depende de ser livre", o pai de Kestrel sempre dizia, "e a liberdade depende de ter coragem".


Compreender esta relação é essencial para compreender as mudanças nos personagens ao longo da história, que foca bastante no romance, mas não ignora o cenário político fictício em que se desenvolve. Tanto Kestrel quanto Arin estão dentro de um jogo de poder. Kestrel pode não ter a força de uma militar, mas é uma estrategista nata, o que utiliza para compensar o que não possui fisicamente. Dentro deste mundo de domínio, o amor talvez não possa ser colocado em primeiro lugar. O modo como se vence determina a sua própria maldição. E talvez vencer signifique aceitar perder algo mais valioso.

A escrita é leve, há cenas suficientes de romance e de ação, e a leitura flui de forma rápida. Os personagens não são os mais cativantes, mas também não geram antipatia e são bem desenvolvidos. Apesar disto, é uma história que agrada e que desperta a vontade de ler a sequência. O segundo livro, "O Crime do Vencedor", já foi lançado no Brasil e o terceiro, "The Winner's Kiss" ("O Beijo do Vencedor" em tradução livre) está previsto ainda para o primeiro semestre deste ano.

"Talvez ela a tivesse visto no jardim ou ouvido sua caminhada inquieta. Kestrel não sabia como ele sabia que ela precisava de seu consolo tanto quanto precisava do muro de pedras entre eles. Quando a canção cessou e a noite ressoou um silêncio que também era um tipo de música, Kestrel não estava mais com medo.

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