21/01/2017

Resenha: Na Teia do Morcego - Jorge Miguel Marinho



Título:
Na Teia do Morcego
Autor: Jorge Miguel Marinho
Editora: Biruta
Páginas: 256
Onde comprar: LOJAS QUE VENDE O LIVRO
Sinopse: Se o herói desta inquietante narrativa é ou não o mesmo Batman das histórias em quadrinhos, este é o grande desafio para o leitor. Será que o conhecido Cavaleiro das Trevas se mudou para o centro de São Paulo e, por razões íntimas, não pretende retornar a Gotham City? Neste livro ele revela a sua máscara mais humana e vive uma aguda crise existencial: ser ou não ser herói. Pode ser ele o assassino de Abigail Aparecida Chaud ou qualquer um dos outros personagens que são flagrados por uma luneta cruel e formam um painel, vivendo na atmosfera agitada e penumbrosa de uma metrópole igualmente cruel. Jovens curiosos, velhos solitários, pessoas desvalidas, seres entusiasmados e tantos outros, todos eles são suspeitos do crime e vítimas da existência pelo simples fato de existir. Quem narra é igualmente suspeito porque se esconde numa “teia” dos mais diversos meios de comunicação: cartas, diário, telefonemas, telegramas, internet, gravações, notícias de jornal, de rádio, de televisão e até uma ata de condômino. E o leitor não fica imune a esta trama tão estranha e tão familiar – é convidado e convocado a entrar na história e agir.


Opinião 

A maior verdade sobre essa obra é que ela é completamente livre. Não no sentido de que pegou um assunto qualquer e abordou de qualquer jeito, mas sim dizendo que utilizou de todos os formatos possíveis para se tornar interessante e acabou conseguindo nos dar uma leitura diferente e dinâmica. Para apreciar este livro você vai precisar se desprender das amarras da literatura formal. Marinho usa cartas, telefonemas, notícias, entrevistas e todo o tipo de recurso linguístico para construir sua narrativa única. 


O medo parece ser o pai e o companheiro das pessoas, a nossa única realidade, paisagem de dentro e paisagem exterior.


Uma investigação de assassinato em São Paulo. Parece comum, né? E aí o autor coloca o Batman no meio e nada mais é como estamos acostumados a ver. O livro tem um quê cinematográfico muito gostoso, deixando a leitura fluida, apesar de um pouco tensa devido ao conteúdo que trabalha. 



Os personagens tem sua profundidade marcada, especialmente pelos textos e c ores utilizadas nas passagens do livro. Cada escolha representa muito bem a pessoa e os acontecimentos daquele momento. A impressão é que o livro fala com você. 



As tramas são adultas, mas trabalhadas de forma que o gênero do livro seja juvenil. É um formato que torna Na Teia do Morcego um livro de grande alcance. É possível apreciá-lo em qualquer idade, desde que - como já falei - você se desprenda dos formatos comuns. De qualquer forma, acho que crianças, pré-adolescentes e adolescentes conseguirão obter maiores vantagens dessa leitura uma vez que é praticamente um almanaque sobre gêneros textuais. Não dá para ir mal em Redação na escola depois de ler esse livro. É só utilizá-lo de guia para saber as funções e formatos dos textos e pronto!


Sobre a edição: obviamente é um primor, mas achei a capa muito sem graça. Apesar de utilizar de um diagrama interessante (que eu esqueci o nome) que mostra que a escrita aleatória de letras ou números acaba gerando um dado resultado que você esteja procurando, ela não cumpre o papel de chamar atenção e não acontece aquela coisa do ''comprei pela capa''. Serve mais como uma curiosidade mesmo. Fora isso, ela é toda bem feita, tem as cores já mencionadas, as fontes diferentes, as manchetes, o tipo de folha que é aquela mais grossa (um pouco mais que cartolina) e a revisão está sem falhas. 

Resumindo: Na Teia do Morcego é um livro inovador, de espírito livre, sério sem chegar a ser chato, trabalhado delicadamente,feito com muito cuidado e consegue alcançar uma extensa faixa etária.  

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