11/02/2017

Resenha: Extraordinário



Título:
Extraordinário
Autor: J. R. Palacio
Editora: Intrínseca
Páginas: 320 páginas
Onde comprar: Amazon
Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular em Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apenas da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros. R.J.Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e , sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.

August Pullman possui uma rara deformação facial e sempre foi julgado por isto, nos parquinhos, nas ruas e onde quer que ele fosse. Mesmo com uma família super protetora, ele consegue perceber que seu rosto diferente o repele das demais pessoas, principalmente das outras crianças. Mas seus pais acham que frequentar uma escola fará bem para ele, que, além de tudo, é inteligente. E talvez ele também saiba que é chegado o momento de enfrentar o mundo. Mas talvez ainda tenha medo de crescer e vivenciar os problemas que ele sabe que isto acarretará. Colocar-se na sociedade já não é uma tarefa fácil para as pessoas "comuns". Porém, esta a oportunidade para ele mostrar que o diferente pode ser extraordinário.

"A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma"

A narrativa do livro intercala capítulos de August, da irmã Via, de alguns amigos e do namorado de Via, o que é interessante, visto que apresenta como a síndrome de Auggie, como August é chamado pelos amigos, afeta as pessoas ao redor dele. A maior parte do livro, contudo, é narrada pelo próprio Auggie, revelando como uma criança lida com o julgamento alheio. August está apenas no 5º ano e ainda tem muito a aprender, mas é forçado a encarar a sociedade com olhos mais maduros em função de um acaso da genética. Ainda assim, não se pode suprimir o fato de que é apenas uma criança como qualquer outra, que deseja fazer amigos, se sentir bela e inclusa no meio em que vive. Essa dualidade dá mais emoção à história.

Era de se esperar que a autora colocasse a visão da mãe de Auggie, que sempre zelou para que o filho se sentisse acolhido pelo mundo. Porém, a intenção do livro é abordar a diferença de uma forma que leve e que consiga tocar até mesmo pessoas mais novas como os personagens da história que conta. A visão de um adulto poderia tornar pesada esta incrível história de aceitação.

Os personagens são bem descritos, e o fato de se apegarem à realidade do que é conviver com o diferente, pode causar uma leve irritação, mas a qual vem unida a uma compreensão de que as atitudes, os pensamentos e sentimentos deles fazem parte da realidade em que vivem. Não se pode imaginar que uma adolescente de 15 anos com a irmã de Auggie, por exemplo, compreenda a todo momento como é viver sobre a sombra de um irmã com uma síndrome e que não tenha momentos em que deseje se afastar de tudo. Do mesmo modo, compreende-se quando Auggie se sente ainda um bebê, carente de proteção. O livro todo exige do leitor um esforço em agir com empatia.

"[...] isso não faz do universo uma loteria gigantesca? você compra um bilhete quando nasce. e é só um acaso ter um bilhete bom ou ruim. é questão de sorte.
[...] talvez seja uma loteria, mas o universo deixa tudo certo no final. o universo cuida de todos os seus pássaros."

É uma história fantástica, que mostra o quanto o mundo pode ser cruel, mas também o quanto pode ser gentil com as pessoas, embora as pessoas ainda precisem exercitar mais e mais a sua gentileza.

"Grande é aquele cuja força conquista mais corações pela atração do próprio coração"


O livro está sendo adaptado para o cinema e conta com a direção de Stephen Chbosky ("As Vantagens de Ser Invisível") e a atuação de Julia Roberts no papel de Isabel Pullman - mãe de August -, Owen Wilson no papel de Nate Pullman - pai de August - e Jacob Tremblay no papel de August. A estreia está prevista para abril deste ano nos Estados Unidos. Esperemos que seja tão boa quanto o livro em que se baseia.

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