11/03/2017

Resenha: Magônia



Título:
Magônia
Autor: Maria Dahvana Hadley
Editora: Galera Record
Páginas: 308 páginas
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Uma fantasia original com ótimos personagens, complexidade emocional e um universo fantástico. Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em ''Magônia'', ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.

"Magônia", livro de Maria Dahvana Hadley, narra a história de Aza Ray, uma jovem que desde bebê possui inexplicáveis problemas de saúde, motivo pelo qual sempre esteve preparada para o momento de sua morte. Prestes a completar 16 anos, uma pena surge em seu pulmão, e ela sabe que este é o sinal que a morte está próxima. Aza Ray não imaginava, contudo, que a morte seria tão viva. Em um navio voador, tripulado por seres que misturam características de pássaros e humanos, ela finalmente pode respirar e ser quem nasceu para ser. Porém, nem tudo parece tão maravilhoso para ela.

"[...] Perecer = ser separados. Todas as coisas que eram ela voando pelos ares. Dispersas em todos os demais."

Enquanto Aza Ray descobre uma inacreditável verdade sobre sua origem, sua família chora por sua morte, e Jason, o melhor amigo com quem quase teve um romance, é o único a suspeitar de algo cujas mentes comuns são incapazes de enxergar. Cantar livremente em seu navio, unir-se a seres idênticos a ela e deixar toda a sua vida - e Jason - para trás pode ser uma tarefa mais difícil do que ela imaginava. Ela não pode voltar, pois o mundo lhe é tóxico, mas também não consegue aceitar sua nova situação, sobretudo quando descobre que a política do céu nem sempre é a mais justa. Para onde deve navegar sabendo que seus poderes podem ajudar tantos indivíduos menos ela?

A premissa de "Magônia" é bastante interessante e diferente. Trata-se de uma fantasia com um mitologia e o um universo incomum, que prometia bastante. Ao trazer seres que não se costuma ver na literatura, a autora também se esforça para incorporar em sua narrativa problemas como a interferência dos seres humanos na natureza e as consequências delas no meio ambiente. Não obstante, destaca-se por introduzir uma maioria de personagens femininas, das quais grande parte é descrita com força e independência, entre heroínas e anti-heroínas. Todavia, a receita que poderia constituir uma grande obra, não consegue agradar plenamente em seu desenvolvimento.

A mitologia sobre a qual se desenvolve a história é pouco explicada, e como é incomum à literatura, pouco se pode compreender acerca dela. É provável que mais se explique ao longo das sequências - há pelo menos mais um livro -, mas muitas lacunas são deixadas neste primeiro, o que, ao contrário de instigar a leitura, acaba por prejudica-la.

A falta talvez pudesse ser compensada por um desenvolvimento ou personagens mais envolvente. Porém, enquanto a ação se restringe apenas à parte final - a parte inicial, portanto, se dedica a desenvolver os personagens -, o que retarda bastante a leitura, os personagens não cativam e a tentativa de romance não convence. O romance entre Jason e Aza Ray é o grande "porém" à continuidade da protagonista no navio de Magônia. O problema é que, talvez pela descrição que se faz deles, o romance não consegue compensar a falta de ação ou de explicação da narrativa. Aza Ray e Jason não conseguem convencer por suas personalidades, ainda que o romance em si não seja problemático. Ambos foram personagens com os quais não consegui me conectar suficientemente.

O final do livro tornou a avaliação da leitura melhor, pois teve mais ação e os personagens se tornaram um pouco mais cativantes. Todavia, permanece a sensação de que não foi o suficiente para prosseguir com a série. Enfim, é um livro com uma premissa que instiga, mas que não consegue prender por não desenvolver uma história sem atrativos em seu desenvolvimento, seja em um bom romance, em uma boa ação, em bons personagens ou em uma profunda reflexão.

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