10/04/2017

Resenha: Neve e Cinzas



Título:
Neve e Cinzas
Autor: Sara Raasch
Editora: HarperCollins
Páginas: 320
Onde comprar: Amazon| Saraiva
Sinopse: Dezesseis anos atrás o Reino de Inverno foi conquistado e seus cidadãos, escravizados, sem família real e sem magia. A única esperança de liberdade para o povo do reino jaz nos oito sobreviventes que conseguiram escapar, e que seguem esperando uma oportunidade para recuperar a magia de Inverno e reconstruir o reino. Meira, uma órfã desde a derrota de Inverno, passou a vida inteira como refugiada, criada por Senhor, o general dos inverninos. Treinando para se tornar uma guerreira — e desesperadamente apaixonada pelo melhor amigo e futuro rei, Mather —, Meira faria qualquer coisa para ajudar o Reino de Inverno a retomar seu poder. Então, quando espiões descobrem a localização de um medalhão antigo capaz de devolver a magia ao reino, Meira decide ela mesma encontrá-lo. Finalmente ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos como sempre sonhou. Mas a missão não sai como planejado, e logo Meira se vê mergulhada em um mundo de magia maligna e poderosos perigosos. De repente, ela percebe que seu destino não está, e nunca esteve, em suas mãos. A estreia de Sara Raasch é uma fantasia cheia de ação sobre lealdade, amor e a capacidade de determinar o próprio destino.


“Neve e Cinzas”, livro de Sara Raasch, publicado pela Harper Collins Brasil, traz um enredo de fantasia e magia protagonizado por Meira. O livro apresenta Primoria e seus oito reinos: quatro reinos Ritmo e quatro reinos Estação. Cada monarca possui um objeto dotado de magia, com o qual consegue motivar seu povo – e também obter proveito próprio. Ocorre que há cerca de 16 anos, o reino Estação de Primavera, liderado por Angra, decidiu derrubar o reino Estação de Inverno, quebrando o medalhão que continha a magia inverniana, matando sua rainha e escravizando seu povo.

Apenas 25 conseguiram escapar, e apenas 8 permaneceram vivos, entre eles, Mather, o herdeiro do trono, e Meira. Para conseguir seu reino de volta, os 8 sobreviventes deverão reunir as metades do medalhão e restaurar o poder. O problema é que, mesmo com o medalhão reconstituído, somente uma mulher poderia utilizá-lo, uma vez que Inverno é um dos quatro reinos com linhagem feminina.

A protagonista é Meira, uma órfã que foi resgatada pelos refugiados ainda bebê. Como não se lembra de sua família, adotou como pai Sir William, um antigo general de Inverno. Porém, mesmo o amor que sente por ele não é capaz de fazê-la aceitar o que ele espera dela. Sir não a quer nos campos de batalha, mas salva no acampamento, de forma a agir como uma dama. E talvez tenha outros grandes planos para ela. Talvez, para salvar seu reino, Meira tenha que aceitar desempenhar o papel que nunca desejou – ou contrariar todos e seguir sua intuição.

De um lado, existe uma vida de sofrimento e covardia perante os invernianos que enxergam neles a única esperança de salvação. Deste mesmo lado está uma vida com Mather, embora Meira saiba que nunca poderá ficar com ele por ser uma plebeia. E do outro lado, existe uma vida de conforto, em que os invernianos possuem um aliado e uma chance de sobreviver. Deste lado existe uma vida ao lado de Theron, por quem Meira poderia se apaixonar se ele possuísse ligação alguma com o duvidoso Noah, rei de um reino Ritmo.

Acerca do romance, um dos melhores pontos da história, por apresentar pelo menos um personagem cativante - Theron - é impossível dizer que não haja pequenas enrolações. Todavia, é um romance mais maduro do que costumam ser os romances em livros do gênero. A protagonista não se perde na dúvida de com quem deve ficar e é bastante racional, focando no que precisa fazer além do romance, o que é um ponto positivo.

A história possui bastante ação e não tarda em introduções, o que, por outro lado, pode gerar uma confusão na mitologia criada pela autora. O mundo de Primoria é rodeado por um poder, que é a causa principal do sofrimento de Inverno e com o qual Meira está fortemente conectada. Todavia, pouco é explicado já no começo, é difícil compreender o mecanismo de poder da história, e ao final, ainda restam lacunas diversas. Não obstante, embora seja bastante agradável, de rápida leitura e apresente surpresas em seu desenvolvimento, possui pontos bastante previsíveis, como a origem de Meira, que é a grande chave da narrativa.

Apesar das críticas, é um livro interessante por apresentar uma mitologia diferente, que ainda pode ser melhor explorada, além de apresentar uma protagonista forte, determinada, com a qual se consegue simpatizar minimamente. “Neve e Cinzas” é o primeiro de uma série, seguido por “Gelo e Fogo” , “Flames Like Vines (paralelo ao anterior) e “Frost Like Night”, os dois últimos ainda não lançados no Brasil.


E não me importa o que Angra possa tentar fazer, ele não me impedirá de lavar as cinzas do passado desse reino e encher nossas vidas com a gloriosa paz gelada da neve.

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