26/05/2017

Resenha: A Rainha Vermelha



Título:
A Rainha Vermelha
Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 418
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Sinopse: O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

Várias pessoas definem "A Rainha Vermelha", de Victoria Aveyard, como uma junção de “A Seleção” e “Jogo Vorazes”, e eu concordo. Em minha definição, seria “A Seleção” com menos romance e mais política, com alguns elementos que remetem a “Jogos Vorazes” e uma pegada mutante no estilo “X-Men”. Enquanto Kiera Cass privilegiou o romance entre Maxon e America em detrimento da luta política – embora tenha amado a trilogia de “A Seleção”, sempre achei que ela poderia ter descrito as revoltas mais profundamente e de melhor forma -, Victoria Aveyard insere sua protagonista, Mare Barrow, em uma verdadeira guerra de poder, na qual, eventualmente, surge um ou outro romance. Talvez, se a autora tivesse falado um pouco mais dos sentimentos românticos da heroína, a história tivesse agradado mais a alguns leitores, mas isto não faz com que perca seu valor.

O mundo de Mare Barrow é dividido entre pessoas com sangue prateado, dotadas de poderes de todos os tipos (manipular metais, terra, água, mente, entre outros) e que comandam as demais, e pessoas desprovidas de poderes, com sangue de cor vermelha, as quais apenas servem. Mare é uma delas. Como nunca procurou ser aprendiz de alguma profissão, como sua irmã mais nova, Gisa, seu futuro é se juntar ao exército quando completar 18 anos, da mesma forma que seus três irmãos mais velhos e seu amigo Kilorn. Enquanto isso não acontece, para ajudar a família, mesmo sem a aprovação deles, Mare rouba o que pode. Até que, depois de Mare arruinar as chances de sua irmã se tornar uma boa costureira e de salvar seu amigo do recrutamento, um forasteiro que flagra Mare em um tentativa de furto oferece-lhe um emprego no palácio. 

O que parece ser a salvação de uma família, no entanto, pode se tornar a sua ruína quando Mare sofre um acidente e descobre que é bem mais poderosa do que parece. Sem compreender seus poderes, Mare é obrigada a fingir ser uma prateada e ajudar a família real na luta contra o movimento rebelde chamado de “Guarda Escarlate”, tornando-se noiva do príncipe mais novo, Maven Calore. Mas, as coisas podem mudar rapidamente. 

Uma prateada ambiciosa que controla metais pode descobrir sua farsa ao ver seu sangue vermelho. A rainha que lê mentes pode usar seus medos como uma arma. Mare pode se apaixonar por Cal, o príncipe ao qual não está destinada e meio-irmão de Maven. E, claro, confiar nas pessoas pode ser o maior dos erros. Afinal, no mundo dos prateados, todo mundo pode trair todo mundo.
– Este não é seu mundo. Aprender a fazer reverências não mudou isso. Você não compreende nosso jogo. – Porque isto não é um jogo, Julian […]. É questão de vida ou morte. Não jogo em busca de um trono, uma coroa ou um príncipe. Não jogo nada. Sou diferente. – É mesmo […]. É por isso que corre perigo, por todos os lados. Até Maven. Até mim. Todo mundo trai todo mundo.
Apesar de os personagens não serem tão bem escritos e de a história ser previsível, é impossível largar o livro até que se descubra o que acontece com Mare. E, isto, principalmente, porque um dos personagens, previsivelmente, parece não ser o que diz ser, o que nos leva a querer saber se estamos certos ou errados, e porque é impossível não se apaixonar pelo romance com Cal. 

Maven, aparentemente, é exatamente aquilo de que Mare precisa e com o que se identifica: um revoltado, que sempre viveu à sombra de um filho perfeito, que seria capaz de contrariar o próprio pai e cujo único defeito é ser filho da rainha má, Elara. Todavia, é Cal que mexe com o coração de Mare, mesmo sendo contra o movimento rebelde e noivo da arrogante magnetron Evangeline. Cal é quem realmente se preocupa com Mare, mas não com uma preocupação tola do tipo “iria contra todo o mundo por você, mesmo que sua causa fosse irracional e você estivesse completamente errada”. Cal tem pé no chão e pensa em seu reino antes de tudo, o que coloca um limite ao egocentrismo de Mare. Cal me conquistou desde sua primeira aparição, e fiquei triste ao ver como Mare o tratou, mesmo tendo sentimentos em relação a ele.
– Cal me traiu e eu o traí […] – As palavras são duras como uma rocha, mas certas. Certíssimas. – Não escolho ninguém.
Quanto à personagem principal, falta-lhe empatia. No entanto, acho interessante que a falta de empatia pela personagem se deva ao seu caráter egoísta, conforme algumas opiniões. Honestamente, nem toda pessoa é benevolente e altruísta, e não acho que toda protagonista deva ser. Mare se entrega à causa dos rebeldes por motivos particulares? Sim, mas isto não a torna menos participante. Além disso, foi bom ver que a protagonista não era completamente movida pela sua confusão entre os príncipes Cal e Maven – os quais, estupidamente, pensou usar durante toda a história. Mare está num jogo de vida ou morte, lutando para libertar os vermelhos, esquecendo-se da própria família, em vários momentos, e usando várias pessoas em favor da causa. Seus maiores defeitos foram não desconfiar de alguns personagens e se achar superior, subestimando as demais pessoas. Mare errou, sendo impulsiva e egocêntrica, e pagou por seus erros no final. Quebras de paradigmas são importantes, e a autora não pareceu colocar Mare em um pedestal, como quase sempre fazem. 

O final foi muito bom, ainda que não tenha sido, ao todo, surpreendente. Era possível identificar as intenções dos vilões desde o início e, também, algumas de suas táticas. Algumas manobras, porém, surpreenderam, levando a um final coerente e bem desenvolvido, o que gera a expectativa e ânsia de ler a continuação (ainda não lançada). Vários personagens morreram – a autora é bastante fã de Game of Thrones, o que já dá um medo – mostrando a Mare que suas ações sempre têm consequências. Espero que, no próximo livro, Cal seja mais audacioso, que Mare aprenda a enxergar as pessoas (como pessoas e não objetos e como realmente são) e que Maven… Que Maven seja coerente. Tudo pode acontecer em relação a ele, pois o céu é seu limite.
As lembranças que compartilhamos passam pela minha mente, trazendo cada segundo que passamos juntos. Mas agora nossa amizade não existe, foi substituída pela única coisa que ainda temos em comum. […]
Não preciso ser murmuradora para saber que compartilhamos a mesma ideia: Vou matá-lo.

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