20/06/2017

Resenha: IT - A Coisa



Título:
IT - A Coisa
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 1104
Onde comprar: Saraiva
Sinopse: Nesse romance o mestre do terror nos leva de volta ao tempo em que acreditávamos mais em nossa imaginação, em nossos sonhos e também em nossos pesadelos… Junho de 1958. Derry, pacata cidadezinha do Maine. Início das férias de verão. Para Bill, Richie, Eddie, Stan, Beverly, Mike e Ben, sete adolescentes que, pouco a pouco, se tornam amigos inseparáveis, este será um verão inesquecível. Um tempo em que vão descobrir o doce sabor da amizade, do amor, da união. Uma época em que vão provar o gosto amargo da perda, do medo, da dor. Este será um ano inesquecível. Terrivelmente inesquecível. O ano em que vão conhecer a Coisa, a força estranha e maligna que vem deixando um rastro de sangue na calma Derry. O ser sobrenatural que apresenta um apetite especial por inocentes crianças. Maio de 1985. O tempo passou deixando suas marcas em cada um deles. Já não são mais crianças. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir novamente suas forças. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. Apenas eles podem vencer o poder maléfico da Coisa.
Resenha


''- Eles flutuam – rosnou a coisa -, eles flutuam, Georgie, e quando você estiver aqui embaixo comigo, também vai flutuar.''

A primeira coisa que digo é: não se intimide com o tamanho do livro. Foi o livro gigante mais agradável e rápido que já li na vida. Quando comecei a leitura achei mesmo que ia acabar desanimando quando já estivesse nas 500 páginas e lembrasse que haveriam mais 600. Aconteceu totalmente o contrário. Eu nem vi o livro passando e quando acabou, eu queria mais.

Em It, originalmente lançado em 1986, King usa todas as característica intrínsecas a ele: o poder de acreditar em si mesmo, personalidades distintas e bem contruídas, uma cidadezinha pacata e terror psicológico. Não podia sair diferente de uma obra realmente assustadora, não por cenas de terror cru, mas por mexer com nossa mente de um jeito que o só o Rei consegue. Pennywise, o palhaço que está assassinando as crianças de Derry, é nada menos do que a personificação do medo. E se alimenta disso. Ele transforma-se no que mais nos assusta (lembrei dos bicho-papão de HP e, de certa forma, dos dementadores também). Liderados por Bill, sedendo de vingança pelo seu irmãozinho George, os sete amigos loosers, decidem agir para parar a Coisa e ainda duvidosos de seu sucesso, prometem voltar e lutar novamente contra ele caso voltasse. E ele volta.

A narrativa, como é de costume a King, é construída com descrições magníficas da vida passada e presente de cada um dos personagens principais. Ele não consegue simplesmente fazer uma história com uma linha única a ser seguida. Cada personagem tem um núcleo e um debate sobre a psiqué humana. E isso deixa a obra absurdamente mais interessante. Há muitos flashbacks e muitas referências à história americana e outras coisas. King faz vários links e tal. A trama fica muito rica por causa disso. E de alguma forma, apesar do bombardeamento de informações, ele consegue manter uma fluidez maravilhosa na leitura. Nada é rebuscado demais, nada é simples demais. É tudo na medida certa para prendê-lo e não perceber as 1.104 páginas rolando.

Existe uma coisa aqui que é o que mais admiro em Harry Potter: a descrição do poder que a amizade tem. Porque essa é a única arma que Bill, Mike, Stan, Bev, Eddie, Ben e Richie tem contra A Coisa. Essa habilidade de escrever o pior e o melhor das pessoas é o que deixa o livro tão emocionante. As cenas de terror são assustadoras, mas pior ainda quando ele consegue fazer você se colocar no lugar de um deles e se imaginar tendo que enfrentar o seu pior medo. E ainda conseguir acreditar no que é bom. Apesar de tudo isso, eu não classificaria o livro como apenas uma obra de terror. É muito mais que isso. É fantasia, auto-conhecimento, um ode à infância e aos bons sentimentos. Muitos falam que essa é A obra completa de King e eu concordo. É verdadeiramente uma obra prima do medo, mas que resgata nosso credo em nós mesmos. Há sentimentos demaaaais nessa leitura. O principal, claro, é o medo. Mas há muita esperança. Angústia, um pouco de comédia, revolta, desgosto... eu fiquei completamente extasiada. No fim da leitura, estava num barato xD

Se você é fã de Supernatural, vai lembrar do primeiro episódio da segunda temporada do show. Ele é livre e maravilhosamente baseado nesse livro. Se você não viu, recomendo. Especialmente antes de ler o livro. Vai te preparar para o clima.

Sobre essa edição que recebi da Suma de Letras: que maravilha de capa! A mais fiel ao enredo e muito bem editada. Uma adição muito boa para minha estante. A lombada é bem forte. Apesar do desconforto de ter que segurar um livro desse tamanho para ler, ele é estranhamente leve para a quantidade de páginas e a lombada não ficou marcada. As páginas são levemente amareladas, ou seja, ótimas pros olhos. A fonte não é pequena demais (como é a d'O Senhor dos Anéis T.T) e há um trabalho de ''exaltação'', uma mudança de fonte nas partes necessárias que dá um ritmo ainda mais gostoso pra leitura. Tradução maravilhosa, como sempre. Só achei alguns erros de digitação que não fazem mal algum na leitura e é totalmente perdoável devido ao tamanho do livro. Revisar isso tudo deve ser complicado. Enfim, tentei falar bem, mas sem contar muito. Acho que a obra impressiona mais o quanto menos você souber sobre ela. E espero que vocês consigam ter a mesma experiência que eu. Estou maravilhada.



O livro já foi adaptado para filme e é considerado ''uma obra prima do medo''. Recentemente recebemos a notícia de um remake que está cada vez mais perto de estrear! Já temos até a cara do novo Pennywise:



E aí, qual assusta mais?

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