29/11/2017

Resenha: Deadfall - A Caçada



Título:
Deadfall - A Caçada
Autor: Anna Carey
Editora: V&R
Páginas: 224
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Há uma semana a garota acordou sobre os trilhos de Los Angeles sem se lembrar quem ela é. E descobriu que faz parte de um jogo. Mas a única coisa de que tem certeza é que estão tentando matá-la. Depois de ter sido traída por seu único amigo, ela foge para Nova York com um garoto que diz conhecê-la. Mas será que pode confiar nele? O que adianta encontrar os outros? Quem são essas pessoas? À medida que a perseguição esquenta, ela vai aos poucos recuperando a memória. Porém, seu passado não pode salvá-la, e um só movimento errado pode acabar com este jogo.


Quando escrevi a resenha de "Blackbird",livro que antecede "Deadfall" revelei que não esperava muito da história, mas acabei me apaixonando pelo livro e fiquei desesperada ao não encontrar a continuação nas livrarias físicas da minha cidade ou em livrarias nas quais costumasse comprar através da internet (já tive vários problemas com compras via internet e com os correios, motivo pelo qual evito este tipo de compra a não ser pela Saraiva, que entrega o pedido na própria livraria). Quando retornei ao Rio de Janeiro, passei na Fnac e adquiri meu exemplar, mas a euforia já tinha passado e outras continuações tomaram a prioridade. Então, quando comecei a ler finalmente já tinha me esquecido um pouco do grande amor que tive pelo livro de Anna Carey. Porém, não tardei a recordar.


Depois de descobrir que seu amigo Ben era um traidor e de ser responsável pela internação de Izzy, você compra uma passagem para Chicago com a intenção de reconstruir sua vida e com a esperança de que os membros da organização que a estão caçando não a descubram lá. Porém, antes mesmo de embarcar, você o encontra. Aquele rapaz dos seus sonhos, dos fragmentos de uma memória que tenta retornar, está lá. Ele vai para Nova York buscar outros alvos. Seguir com ele pode ser perigoso, mas, se vocês estão vivos ainda, é porque conseguiram sobreviver juntos naquela misteriosa ilha de suas lembranças. Além disso, ele parece saber bastante sobre o seu passado – e ser uma importante peça dele. Talvez, no fim, reunir os alvos sobreviventes e caçar seus inimigos seja o único modo de sair dessa caçada.

“-Você sabe que eu transformei você no que você é, não sabe? A ilha foi apenas o início. Os que sobreviveram foram os dignos da Migração. Estavam prontos para serem levados para o mundo real. […] Você pode ainda não ter se lembrado, mas […] nós os treinamos, ensinamos tudo o que vocês sabem. – Você não me transformou em nada – você diz – Sou muito superior a você, a seu joguinho doentio”


A história começa exatamente onde o primeiro livro parou, com Sunny reencontrando o rapaz de sua memória. Ele se chama Rafe; ela se chama Lena. E, então, o romance prenunciado no primeiro livro se desenvolve um pouco mais. Vislumbramos mais do que aconteceu entre os dois no passado e do que ainda existe entre eles, mesmo com a amnésia de Sunny – agora Lena. Do mesmo modo que no primeiro livro, o triângulo amoroso existe, mas não é o foco principal. Se antes, Lena/Sunny possuía sentimentos confusos entre Ben e um homem que nem sabia ser real (e o qual é pouco conhecido do público, uma vez que só aparece realmente no final da história), agora ela se divide entre um amor do qual não se recorda, embora saiba que existe algo, por um homem que está na mesma situação que ela e entre um breve romance por alguém que acredita que a traiu. Agora, finalmente, aquele homem – Rafe – é uma possibilidade – e uma possibilidade muito mais forte do que Ben na minha visão de leitora apaixonada pelo personagem, que amou os momentos entre Rafe e Lena. Todavia, todas as possibilidades somente podem ser válidas após a resolução da trama principal: acabar com a caçada.

“Em algum lugar atrás de você, as folhas se mexem. Você se vira, esperando ver os caçadores. Quantos são dessa vez? Você estão presos na praia. Não têm saída. Rafe também sente. Ele fica na sua frente, esperando por eles. Mas quando o som se aproxima, você vê o primeiro sinal dos pássaros, em voo rasante, abaixo do denso emaranhado de galhos. […] Ele s voam livres, sobre vocês, e o ar muda com a passagem deles. Então eles desaparecem, rapidamente, na direção do horizonte infinito. Você ainda está segurando a porta do passageiro. Está olhando para as árvores, observando o último pássaro partir. […] – O que foi, Lena? Você está bem? Você entra no carro. Fecha a porta, saboreando o momento: aquele dia na praia. Os pássaros. A lembrança favorita de Rafe.”


A narrativa ocorre novamente na 2ª pessoa. Embora tenha estranhado no início de "Blackbird", em "Deadfall" fluiu naturalmente. É apenas questão de costume. Logo que no acostumamos ao modo, torna-se bastante normal. Ainda, percebi que a narrativa em 2ª pessoa fez com que eu me aproximasse dos sentimentos da protagonista, vivenciando-os com maior intensidade, o que fez com que eu me apegasse muito a um dos personagens – Rafe.

Ainda que flua tão bem quanto o primeiro livro, "Deadfall" é um pouco mais parado. O ritmo acelerado e agitado de "Blackbird" foi substituído por mais cenas de explicações, justificadas por ser o desfecho da história. Ainda existem cenas assim, com várias perseguições em Nova York e lembranças da ilha, mas achei que foi menos do que no primeiro livro. "Blackbird" te apresenta o mundo da caçada; "Deadfall" explica-o. Lena e os demais alvos já não estão focados em apenas fugir, mas em reunir informações suficientes para entender aquilo em que estão envolvidos e para incriminar seus inimigos. Eu gostei mais, porque os sentimentos da protagonista foram mais desenvolvidos e porque não sou fã de tanta ação.

O final fez jus a toda a história: foi perfeito e não me decepcionou. Não digo que foi ao todo surpreendente, pois todos sabiam como terminaria de um modo geral. Todavia, achei-o mais triste do que o esperado. Um personagem específico morreu, e eu não achava que isso aconteceria – e, admito, sou uma manteiga derretida e chorei com a morte do personagem. E, após a sua morte, tudo pareceu ficar em tons fúnebres, mesmo quando deveria ser algo bom. Por fim, embora a situação tenha se resolvido de modo já esperado, o rumo tomado pelos personagens foi muito mais realista – levando-se em consideração que é uma ficção com temática nada cotidiana – do que inúmeros romances. A autora não inventou superações surpreendentes ou reações incoerentes. Ocorre que isso faz com que não se possa dizer que o final foi feliz. Quando penso em "Deadfall", fico triste por algumas partes deste final.

Lembrando que os direitos da história foram comprados pela Lionsgate, o que abre margem para a expectativa de uma futura adaptação cinematográfica.

Um comentário:

  1. Ainda não conhecia, gostei bastante da sua resenha :D

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir